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Sociedade reprova “ataque” contra Neto

Conforme esses cidadãos, que reagiam a uma publicação do jornal “Folha 8”, equiparando o antigo Presidente a personalidades consideradas defensoras da escravatura, Agostinho Neto lutou contra todas as formas de discriminação.

A propósito da publicação, o professor Belarmino Van-Dúnem referiu que a associação feita à figura do ex-Presidente da República, pelo jornal Folha 8, é “descontextualizada”.

“Agostinho Neto foi um homem que se bateu contra o colonialismo e todas as formas de descriminação. Mostrou ser um verdadeiro humanista”, expressou à Angop.

Fundamentou que essa dimensão humanista de Agostinho Neto pode ser constatada nos seus poemas e nos vários discursos que escreveu.

O também analista político considera injusto, de má fé, pouco sério e não admissível esse tipo de jornalismo praticado por aquele jornal privado, a quem sugere um pedido de desculpas.

“Creio que o Jornal Folha 8 devia fazer um pedido desculpas público à Fundação Agostinho Neto, à família do Dr. Agostinho Neto, ao MPLA e ao povo angolano, de forma geral”, exprimiu.

Conforme referiu o analista e docente universitário, “não há nenhum indício na biografia de Agostinho Neto que possa associá-lo aos defensores ou protectores da escravatura”, tendo, pelo contrário, sido um “panafricanista”.

“Agostinho Neto bateu-se pela liberdade de todos nós e merece o respeito do povo angolano e do mundo. Ao longo do seu percurso, agiu como as circunstâncias obrigavam, todos homens e mulheres devem ser compreendidos no seu tempo e o povo angolano sabe que António Agostinho Neto figura entre os mais queridos filhos desta terra”, concluiu.

Por sua vez, o historiador Melquiades de Kerlan reforça, igualmente, ser injusto incluir o nome de Agostinho Neto no leque de figuras mundiais consideradas defensoras da escravatura.

Conforme o historiador, pela sua trajectória social e cultural, destaca-se a mensagem da abolição da escravatura, sublinhando que os angolanos devem lembrar-se, dele como nacionalista, poeta, eminente académico no campo da medicina, político e estadista.

O também historiador Paulo Salvador Cacoma qualifica Agostinho Neto como um “espelho de libertação para Angola e África”, reforçando com o facto de o mesmo ter recusado a proposta da PIDE–DGS para ser um informante.

Do seu ponto de vista, isso é “indício de que odiava o racismo e outros males”.

Já o director do Monumento da Paz no Moxico, Raimundo Zango Machai, afirmou que Agostinho Neto deixou um legado que ninguém conseguirá apagar e “nem tentativas de manchar o seu nome vão beliscar os feitos em prol de África”.

Quem também repudia o conteúdo do texto jornalístico é o bispo da Diocese de Mbanza Kongo (província do Zaire), Dom Vicente Carlos Kiaziku, que considera ser uma afirmação de “elevada dose de ligeireza”.

Segundo o bispo católico, nenhum homem está isento de erros, mas uma insinuação desta natureza deve estar fundamentada com provas concretas, tendo convidado o autor deste artigo a provar as suas afirmações com factos.

“António Agostinho Neto é uma figura reconhecida a nível nacional e internacional como herói e defensor da liberdade dos povos oprimidos, daí considerar contraditório atribuí-lo a categoria de opressor”, comentou.

Opinião semelhante tem o padre José Muacahamba, da Igreja Católica, na Lunda Norte, que considera Agostinho Neto um libertador nato e uma figura de prestígio mundial.

Para o padre, Neto representa a bravura, determinação e a coragem dos africanos, e deve ser comparado a outros grandes líderes de movimentos libertadores em África e no mundo.

Por sua vez, Davil Alberto Mavinga, nacionalista e antigo militante da FNLA, adianta que Agostinho Neto deve ser recordado com justiça e nada justifica a inclusão do seu nome no leque de figuras mundiais defensoras da escravatura.

De acordo com o político, que recebeu Agostinho Neto, em 1975, no município da Ganda, pelo partido FNLA, era um homem que queria liberdade e de forma alguma podia estar na lista dos que defenderam a escravatura.

“A minha consciência não me permite dizer que ele deve constar da lista das figuras consideradas defensoras da escravatura, porque a escravatura foi abolida a partir do século XIX, na Inglaterra, e ele começou a luta no século XX e sempre defendeu a liberdade”, afirmou.

A esse propósito, membros do MPLA, entre os quais o primeiro secretário na província do Moxico, Gonçalves Muandumba, João Diogo Gaspar, membro do BP do partido no poder, e o segundo secretário do MPLA no Bié, Anastácio Severino Sambowe, apelaram aos promotores da referida ideia estampada no referido jornal a “não confundirem o 27 de Maio com a escravatura”, considerando absurda essa comparação.

Para Gonçalves Muandumba, Agostinho Neto representa a resistência dos angolanos, a classe dos intelectuais que se transformaram em grandes patriotas angolanos para a independência nacional e de África.

Já o deputado João Diogo Gaspar exorta os jovens a pesquisarem mais sobre a figura de Agostinho Neto, ao mesmo tempo que encoraja os ministérios da Educação e do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação a divulgarem mais as obras do “poeta maior”.

Para Anastácio Severino Sambowe, “em Agostinho Neto estão reunidas as virtudes superiores do revolucionário, do intelectual, poeta universal, médico profundamente humano, líder e figura inigualável da história do país”.

Fonte: Angop

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